Basta-me!
Pudera eu despir-me aqui perante vós
que mesmo nua continuaria adornada
desta minha condição humana:
pedra e força bruta.
porque as faces mesmo lisas não deixam de ser rudes,
nem as arestas por mais perfeitas deixam de ser ríspidas.
Pudera eu vir aqui fazer-vos
a critica da convicção pura
e falar-vos de tudo quanto sinto mas não digo.
Pudera eu vir aqui expor-vos os argumentos
das razões que não sei se tenho
e de todas as opiniões que pari desde que me entendo.
Pudera eu ser um Ser sempre justo
que as outras imperfeições carregá-las-ia de bom grado
no saco da minha consciência.
Pudera eu dizer tudo isto e ser entendida,
e não estaria aqui convosco.
Mas quis a fortuna que o Grande Arquitecto
permitisse que, no prefácio da narração dos tempos,
os homens nascessem brotando do chão.
Quis Ele que na Idade do Ouro o Sopro Criador
se confundisse com as criaturas,
que o Homem fosse o guardião das cores,
o zelador de todos os ocres e pigmentos.
Quis Ele dar ao Homem a sede autentica mais a divina figura.
também a ousadia, fundamento da Liberdade.
Quis ainda a sorte que Prometeu nos desse o lume divino,
e que a caixa de Pandora, senhora de todos os dons,
se abrisse entornando contratempos.
Desde então as ideias são como alaridos e esgrimas
e as frases soam a desconfianças bastardas.
Rebuscamos no campanário das vozes e das prosas de Babel,
a Palavra que um dia dará forma à doutrina do entendimento humano.
Catamos na multidão dos vocabulários,
nos mistérios dos catecismos,
no frágil talento dos nossos rudes critérios:
o Sopro Divino, Grande Alento, brasas de Luz a partir do nada;
a Harmonia das Esferas, caroço das perfeições possíveis;
os pedaços, na miragem de chegar ao Todo colando as partes.
Dói olhar para um homem, vê-lo só a ele, e nem sequer todo...
Dói procurar nas Borras da Fundição, olhos que vejam como os nossos...
Dói encostar o ouvido ao búzio e não adivinhar o sabor do sal...
Dói tanto...
Mas no dia em que o céu se partir,
as tábuas da mecânica do mundo hão de peregrinar.
nesse dia estarei convosco, para guardá-las.
Basta-me!
Wednesday, 10 September 2008
Basta-me!
Posted by HSSoares at 02:26 0 comments
Thursday, 4 September 2008
In the Land and in the Sky
I
I have no idea
If I undress or remain dressed
when at night I undo each
pieces that give me color
I have no idea
if my arms get the perimeter of your body
or if my fingers are hurled and stayed
as always in another side of the slope
II
I have no idea
If I wash myself in the waters in which I wash
or if my spots go through the rain
simply with me
I have no idea
if I deserve the paradise …
… or if I deserve the hell
Posted by HSSoares at 03:27 0 comments
Tuesday, 2 September 2008
Preto no branco
ontem
parei de um lado da rua e vi-me no outro
e de ambos os lados fiquei
na esperança que a esperança caísse
eu sei que nem sempre me vejo assim
de cá e de lá separado pelo mundo
nos dois lados do mundo e separado por ele
sei que nem sempre me reparto como escrevo
porque nem sempre a tinta é negra e o papel assim
porque o preto no branco e o branco no preto
podem ser o caminho das metades
mas não do meio
Posted by HSSoares at 13:44 0 comments
The Word ( A Palavra ) ( English\Portuguese)
The Word
Outside the desert
here, inside, man results
the word
naked and simple
A Palavra
Lá fora o deserto
cá dentro os frutos do homem
a palavra
nua e singela
Posted by HSSoares at 04:15 0 comments
It is Here ( É aqui) ( English\Portuguese)
It is here
the Light I was looking for ...
I found her distant,
far from the crowds.
where the Roses are perfect brightness.
and the blue is where it must be...
in the infinity.
above the men.
At His home.
É aqui
era esta a Luz que eu pocurava...
encontrei-a longe,
longe das multidões.
onde as Rosas são a claridade perfeita.
e o azul está onde deve estar...
no infinito.
acima dos homens.
Posted by HSSoares at 04:14 0 comments

