Thursday, 15 May 2008

Leya compra as editoras do grupo Oficina do Livro

O Grupo Leya confirmou ontem o rumor dos últimos dias e anunciou a compra de mais cinco editoras - Oficina do Livro, Casa das Letras, Teorema, Estrela Polar e Sebenta - que integravam o Grupo da Oficina do Livro, após ter assinado com a Explorer Investments um contrato-promessa. O negócio já tinha sido iniciado no ano passado mas não houve entendimento até que os interesses no mercado brasileiro fizeram com que se reiniciassem há poucas semanas.

O Grupo Leya, sabe o DN, ainda não fechou a sua política de aquisições mas a compra de outras editoras só acontecerá em função da estratégia de expansão internacional.

O secretismo da negociação só foi levantado junto dos dois autores que mais vendem na Oficina do Livro, Miguel Sousa Tavares e Margarida Rebelo Pinto. Nenhum deles quis ontem comentar a situação mas o DN sabe que ambos foram consultados nos últimos dias e tiveram conhecimento dos termos do comunicado antes de ser tornado público. Sousa Tavares está de partida para o Brasil e Rebelo Pinto encontra-se na fase final do seu próximo romance, a publicar no final de Junho.

O objectivo, explica o documento, é o de "consolidar a Leya no mercado editorial nacional, reforçando a sua liderança em termos de volume de negócios." O grupo de Pais do Amaral ficará na posse de 11 editoras e passa a deter no catálogo autores como José Saramago, António Lobo Antunes, Miguel Sousa Tavares, Lídia Jorge ou Margarida Rebelo Pinto, ou seja alguns nos autores que mais vendem.

O contrato foi assinado na segunda-feira, dia 12, e os funcionários dos dois grupos foram formalmente notificados ontem. A Leya refere-se a esta "operação", como parte da "estratégia de criar um grupo com dimensão internacional no campo da Língua Portuguesa, garantindo que o pilar português apresente uma dimensão que lhe permita encontrar o necessário equilíbrio com o que se pretende que venha a ser o pilar brasileiro, a desenvolver". A opção pela compra do grupo Oficina do Livro tem a ver com o volume de negócios e o que a administração da Leya considera ser "uma agressiva dinâmica editorial, de marketing e comercial". Os responsáveis pela Leya garantem que não serão alteradas linhas editoriais e a independência de nenhuma das editoras que compõem o universo Oficina do Livro. À frente da direcção-geral do grupo, que desde 2006 pertence em 75% à Explorer Investments, irá manter-se um dos fundadores da Oficina do Livro, António Lobato de Faria.

Entretanto, a Leya já começou os contactos com os autores para as sessões de autógrafos na feira do Livro de Lisboa, o que indicia o fim da polémica em que tem estado envolvida.| Com JOÃO CÉU E SILVA.

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